Os preços dos imóveis em Portugal aumentaram em 10,3% no terceiro trimestre de 2019. Comparando com a altura em que o mercado imobiliário estava com o valor mais baixo, em Junho de 2013, a valorização até aos dias de hoje atingiu um índice de 55%.
O mercado imobiliário em Portugal está em desenvolvimento e muito dinâmico, atingindo valores máximos que há uns anos atrás não seriam possíveis. No entanto, paira no ar a dúvida se estes valores são para manter em 2020.
O mercado imobiliário português, como qualquer mercado, rege-se pelas variações de preços. Avaliando as alterações dos valores conseguimos verificar que ele é tanto maior quanto maior a procura. Isto deve-se também ao aumento do turismo, aumento das licenças para construção de novos imóveis e aumento da oferta imobiliária comparado com os outros anos.
A evolução do mercado imobiliário tem ajudado bastante a economia de Portugal. Tem gerado lucro aos proprietários, há mais ofertas de emprego no ramo, criando assim investimentos do foro privado. O Estado Português também tem beneficiado com a parte fiscal e, após uns anos de crise, o negócio da construção voltou a crescer. Existem muitos programas de reabilitação e algumas zonas que estavam abandonadas foram renovadas melhorando também o comércio local.
Por outro lado, os valores elevados que se verificam não só afecta o centro das cidades, obrigando os locais a deslocarem-se para as periferias, e também estas já estão ser afectadas com a subida dos preços. A subida homóloga dos preços das casas no início de 2019 foi superior a 15% nos concelhos da periferia das cidades de Lisboa e Porto. Nos subúrbios de Lisboa, existem casos de aumentos no nível dos 25%.
Apesar de o mercado imobiliário português ter tido um crescimento muito positivo e beneficiado a economia do país, os valores elevados dos imóveis e crescente aumento tem sido um entrave para muitas famílias que procuram casa. Os preços dos imóveis em Portugal estão a tornar-se demasiado altos para os agregados com menos rendimentos, tanto a nível de compra de imóveis e, ainda mais, no sector de arrendamento. Nos últimos cinco anos, os preços do mercado imobiliário e os ordenados entraram em divergência de 32.2%.
Posto isto, prevê-se que os valores praticados actualmente podem desacelerar no presente ano pois o número de compra e venda e licenças de construção também diminuiu ligeiramente em finais do ano anterior. Isto deve-se ao aumento exponencial dos preços dos imóveis em relação aos rendimentos dos agregados familiares, em valores incomportáveis a muitas famílias.
Uma vez que os rendimentos das famílias portuguesas não são muito elevados, a os imóveis ficarão durante mais tempo no mercado, levando à redução dos preços que actualmente encontram-se altos, equilibrando assim os preços dos imóveis em Portugal versus os rendimentos das famílias portuguesas.
Há vários factores importantes que potenciaram a subida dos preços dos imóveis que vão manter os valores futuramente. Os juros dos empréstimos baixaram e as condições estão mais acessíveis e para além disso há muitos investidores e compradores estrangeiros. No último ano uma percentagem dos imóveis adquiridos foi por compradores estrangeiros em Portugal.
As principais nacionalidades são a francesa, britânica e brasileira.
As regiões onde houve mais investimento por parte dos estrangeiros localizam-se nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto. O alojamento local também cresceu bastante, no entanto as nossas medidas do Governo para este ano apontam penalizações para este sector que se desenvolveu de forma exponencial.
Para além do alojamento local também podem surgir penalizações para os que beneficiam dos vistos “Gold” e os estrangeiros que não são residentes não habituais. Uma medida que pode fazer com que diminuam as receitas deste mercado. Como opção para a não penalização deste sector, a melhor solução seria a implementação de condições que propiciassem o aumento da oferta e aumento dos rendimentos das famílias.
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